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12 dicas para desenvolver a virtude da resiliência como objetivo de vida

Em nosso artigo anterior sobre Psicologia Consciencial apresentamos a virtude da resiliência como um dos objetivos da psicoterapia consciencial. Neste apresentaremos um meio para desenvolver a resiliência como objetivo de vida, de modo a nos tornarmos mais saudáveis.

Para que a virtude da resiliência seja exercitada nas experiências-desafio, é importante que a estabeleçamos como um objetivo de nossas vidas. Portanto, para superarmos uma vida de nível subconsciente, tomando consciência de nós mesmos, com o objetivo de caminhar com mais desenvoltura, em direção a um estilo de vida mais verdadeiro e saudável consciencialmente, é fundamental traçar objetivos para realizar esse ideal, motivando-nos para a aproximação dos valores importantes para a nossa vida, desenvolvendo a ação da vontade.

Para realizarmos o objetivo de exercitarmos a resiliência, é necessário refletir sobre alguns estágios fundamentais, de modo que a idealização almejada pelo objetivo se torne realidade.

LEIA AINDA: A resiliência e a sua aplicação na psicologia consciencial

Esses estágios são didáticos, pois o conjunto de todos eles forma um todo harmônico. Quando formulamos objetivos dessa forma, criamos um mapa mental, envolvendo pensamentos positivos, virtudes e uma vontade operante, que se manifestarão em comportamentos adequados, tornando-nos pessoas mais conscientes da nossa destinação.

            Vejamos, a seguir, os estágios para a realização do objetivo de agir de forma resiliente.

Estágio 1Os objetivos devem ser expressos sempre em termos positivos, de forma bastante específica.

Você irá desenvolver aquilo que quer e não o que não quer. Esse estágio é fundamental para que haja a mobilização da motivação e da vontade de autotransformação e não do impulso de afastamento. Tendemos a nos afastar daquilo que nos incomoda, mesmo que isso gere um pseudoconforto transitório.

Para que a resiliência aconteça nas experiências-desafio e sigamos as diretrizes de nosso plano existencial, devemos estar focados naquilo que queremos: ser uma pessoa resiliente, que faz esforços continuados, pacientes, perseverantes e disciplinados quando apresenta algum dilema consciencial para ser resolvido dentro de alguma experiência-desafio.

Estágio 2Os objetivos devem ser sempre centrados em si mesmo.

Você pode mudar somente a sua maneira de agir e não a de outras pessoas, e a sua mudança não deverá estar condicionada à mudança de outras pessoas ou situações.

Nós só temos domínio sobre as nossas escolhas e não sobre as escolhas dos outros.

Estágio 3Todos os objetivos devem ser contextualizados. Onde, quando, como, de que maneira etc., se quer realizá-lo.

A contextualização tem a ver com a especificação do estágio 1. São os detalhes do mapa mental que você está construindo. Isso é importante para sistematizar o objetivo maior, contextualizando cada pequeno objetivo, para poder realizá-lo gradualmente, de forma concentrada.

O processo de contextualização é para que você se concentre, focando uma situação específica. Quanto mais foco você der ao seu objetivo, maiores as condições de você concentrar todo o esforço de sua energia mental para a mudança que você quer realizar.

Estágio 4Conhecer o estado interior para saber se está cumprindo o objetivo.

Em termos práticos, é saber definir bem o estado interior que determina se você está ou não cumprindo com seu plano existencial, sendo resiliente nas várias experiências-desafio. Saber as evidências é importante para termos parâmetros de avaliação. Normalmente, o estado de quem está cumprindo o seu plano existencial, tornando-se uma pessoa mais consciente e verdadeira, é o de harmonia, paz, tranquilidade, alegria e plenitude. O indivíduo se sente bem consigo mesmo.

O contrário acontece quando o indivíduo não está cumprindo o seu plano existencial, mantendo as escolhas impulsivas e/ou as movidas pela culpa e medo de errar tentando se afastar das experiências. Nesse caso, o estado interior é de desarmonia, angústia, intranquilidade, inquietude, desassossego. Ele não encontrará a paz e a felicidade, pois não é possível esses sentimentos sem que sejam realizados os esforços de mudança.

Estágio 5Todos os objetivos que a pessoa busque na vida devem estar alinhados com o propósito maior do Ser, dentro da ética do amor.

Não há como exercitar um objetivo de se cumprir o plano existencial se não houver o exercício constante de autoamor.

Somente cumpriremos o propósito de nos tornarmos mais conscientes e verdadeiros se estivermos em sintonia com o amor que rege o Cosmos, sendo colaboradores para a realização desse amor, que começa em nós e, a partir de nós, irradia-se para todos os seres do Universo.

Estágio 6Os objetivos devem ser sempre factíveis, isto é, possíveis de ser realizados.

Todo plano existencial é possível de ser realizado de forma resiliente. O grande problema para muitos é a preguiça moral ou a pressa de fazer tudo de forma abrupta. É preciso sempre lembrar que o plano existencial, composto de propósito existencial e programa existencial, é para a existência inteira.

Se nós quisermos fazer tudo de uma vez, só criamos um objetivo impossível de ser realizado e vamos nos frustrar. Isso significa que devemos fazer uma coisa de cada vez, cultivando o esforço continuado, a paciência, a perseverança e a disciplina na realização do plano.

Comumente, quando as pessoas se lançam a realizar um objetivo, buscam fazer muitas coisas ao mesmo tempo, em uma atitude de ansiedade em querer realizá-lo. Elas se forçam a realizar o objetivo, em vez de se esforçar, ato que pressupõe a continuidade, a paciência, a perseverança e a disciplina. Com isso, cansam-se e se decepcionam com elas mesmas, pois, como não conseguem efetivar o objetivo, logo desistem, dizendo que é muito difícil e que não conseguem fazê-lo.

Por isso, é fundamental realizar uma coisa de cada vez, de modo a tornar possível o objetivo, tendo sempre perseverança nas ações, conseguindo um pouco hoje, mais amanhã, e assim cumprir tranquilamente o plano existencial.

Para tornar os objetivos factíveis, é importante transformar o plano existencial, que é um objetivo amplo, em vários pequenos objetivos, que vão ser realizados um a um, conforme vimos nos estágios 1 e 3.

Estágio 7Definir claramente o que ganha com a realização dos objetivos.

O indivíduo deve refletir acerca de todos os benefícios reais que ele ganhará quando realizar o seu plano existencial, tornando-se mais consciente e resiliente frente à vida. Normalmente, o ganho maior é a evolução espiritual que nos felicita a vida, com certeza algo que todos nós queremos.

Estágio 8Definir o que impede a pessoa de realizar os objetivos.

Os fatores impeditivos são relacionados à preguiça moral e ao impulso de afastamento.

O mais profundo é não querer a realização do plano existencial em decorrência da forte acomodação que mantém, por causa do trabalho que é necessário realizá-lo. O indivíduo quer se afastar do trabalho que dá para cumprir o código moral e desenvolver as virtudes. Ele acredita que não pode realizar o plano, mas, na verdade, não está querendo fazer os esforços para ser resiliente.

Outro fator impeditivo é não acreditar que merece realizar as mudanças devido ao sentimento de culpa e autopunição que mantém, de forma consciente ou subconsciente, pois realizar o plano existencial gera felicidade, e quando traz o sentimento de culpa o indivíduo boicota a própria felicidade, pois admite que não a merece.

            Outro fator são os ganhos secundários das máscaras do ego.

Esses fatores serão conhecidos por meio do autoconhecimento, que proporciona o autoencontro, isto é, perceber em si as limitações egoicas para poder transmutá-las, transformando fatores impeditivos em alavancas valiosas de impulsionamento ao crescimento interior. É assim que age uma pessoa que quer exercitar a virtude da resiliência, tornando a sua vida bem melhor.

É dessa forma, focando nos benefícios da mudança de atitude, que conseguiremos ser resilientes e realizar o nosso plano existencial, superando os fatores impeditivos.

Estágio 9Disposição para superar as dificuldades impeditivas.

Este item está relacionado ao ato de assumir as responsabilidades pelo conduzimento de nossa vida. Tem uma relação direta com a motivação e a ação transformadora ligada à vontade.

Para realizarmos o nosso plano existencial de forma resiliente, é necessário estar dispostos a superar tudo aquilo que nos leva a fugir de nós mesmos e a responsabilizar os outros ou a vida pelas nossas dificuldades ou pela nossa infelicidade.

É fundamental, portanto, a superação do autoengano de acreditar que a nossa vida não é fruto de nossas escolhas para assumir definitivamente a superação das dificuldades, que somente dizem respeito a nós mesmos. Somos convidados a assumir a responsabilidade pela nossa vida e conseguir, com isso, ganhos reais que nos enriqueçam interiormente.

Estágio 10Disposição para desenvolver os recursos que sejam necessários para se realizar o objetivo.

É importante lembrar que existem os recursos internos, que são as virtudes essenciais, e os externos. Devem-se buscar, por meio do autoconhecimento, quais são as virtudes essenciais que devem ser desenvolvidas para transmutar os sentimentos egoicos evidentes e mascarados, que impedem a realização do plano existencial, especialmente a virtude do propósito existencial, bem como utilizar outros recursos tais quais a meditação, a oração, o estudo de obras que auxiliem no autoconhecimento, cursos de autoconhecimento, psicoterapia consciencial etc. com o objetivo de se aprimorar interiormente, e conseguir realizar o propósito de se tornar mais autoconsciente e saudável emocionalmente.

Estágio 11Agir com flexibilidade e responsabilidade.

Ao realizar um objetivo, há sempre duas possibilidades: acertar ou errar. Em quaisquer das hipóteses, somos convidados ao aprendizado. Devemos buscar, em caso dos erros cometidos, o exercício da virtude da flexibilidade, estabelecendo reflexões para cada passo a ser dado na realização do objetivo, exercitando também a virtude da responsabilidade para aprender com o erro, e jamais se culpar ou de se desculpar quando praticar algum ato equivocado, ao realizar o seu objetivo. Essa, sim, é uma escolha autoconsciente.

A flexibilidade e a responsabilidade devem acontecer sempre quando ocorrer um erro. Ao errar, você deve se perguntar o que aconteceu para que esse erro ocorresse. A flexibilidade permitirá a você refletir acerca do equívoco, como um aprendiz da vida, para aprender com ele.

A responsabilidade leva você a reparar as consequências do seu erro, tantas vezes quantas forem necessárias, aprendendo sempre com as conquistas-aprendizado, até que as conquistas-êxito se tornem uma constante em sua vida, num processo de autoconsciência.

Todos oscilamos em termos dos exercícios das virtudes, pois nem sempre estamos dispostos a fazer os esforços necessários, e, em decorrência disso, cometemos erros, agimos da forma que não deveríamos, mas isso não deve ser motivo para desanimar. O indivíduo que está exercitando a resiliência age com flexibilidade e responsabilidade, acolhendo-se quando comete erros, aprendendo e reparando os erros para prosseguir realizando o seu objetivo de cumprir o plano existencial.

Estágio 12Efetivação do objetivo.

Ao realizar todas essas ações, concluímos o objetivo a ser realizado, sabendo que vamos ter centenas de objetivos durante toda a existência para que, com dedicação e entusiasmo, realizemos o nosso plano existencial de forma resiliente.

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