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Como curar a criança interna ferida, uma das causas da depressão

Como curar a criança interna ferida, uma das causas da depressão

Neste artigo, refletiremos sobre uma das causas mais intensas da depressão, que é a criança interna ferida.
Reflitamos sobre história de vida de Bia.
Bia teve uma infância muito difícil, pois foi educada de forma castradora.
O seu pai vivia dizendo para ela, toda vez que tinha alguma dificuldade com os deveres escolares, ou com qualquer tarefa doméstica: Bia, como você é burra; você é uma desajeitada; como é lerda essa menina, não dá conta de fazer nada; essa menina nunca vai ser alguém na vida de tão burra e lerda que ela é.
Várias vezes, ele a comparava com o irmão: Bia, por que você não faz as coisas como o seu irmão? Esse sim é capaz, é inteligente.
O pai estava sempre repetindo essas e outras repreensões semelhantes, que a desqualificavam.
Imaginemos uma criança, principalmente na primeira infância – de zero a sete anos –, fase na qual ela não consegue distinguir as dificuldades do pai – que não lhe pertencem –, com as próprias dificuldades, ouvindo, durante anos a fio, dia após dia, frases como estas: Bia, como você é burra; você é uma desajeitada; como é lerda essa menina, carregadas de energias agressivas.
Essa atitude torna a criança profundamente ferida.
A mãe de Bia era extremamente submissa ao pai e acabava concordando com ele, fato que agravava as dificuldades vividas por Bia.
Na escola, devido à sua dificuldade em aprender, muitas vezes foi chamada de burra, imbecil, lerda etc. pelos professores, que a colocavam várias vezes de castigo, por não conseguir fazer os deveres de forma efetiva.

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Bia passou toda a sua infância e adolescência ouvindo as mesmas repreensões, tornando-se uma pessoa com uma autoestima extremamente deficiente, tímida, insegura, pessimista, com um complexo de inferioridade muito grande.
Na história de vida de Bia a repetição sistemática da forma negativa com que o pai, a mãe, professores e outros adultos importantes se comunicavam com ela funcionavam como uma ordem hipnótica para a criança, pois, para ela, o adulto tem um poder sobre a sua vida, especialmente os pais.
Então a criança vai se tornando ferida. Cada movimento de prepotência do pai, ou da mãe, e outros adultos significativos – como os professores –, vai gerando feridas na criança.
Isso começa na própria infância. Só que, psiquicamente, a criança não desaparece.
A estrutura psíquica da criança permanece, mesmo quando cresce e se torna adulta. Essa estrutura permanece sob a forma de uma criança interna ferida.
No exemplo acima, quando a criança se tornar adulta, qualquer pessoa que tenha certa autoridade representará as figuras de autoridade da sua infância, especialmente seu pai e sua mãe.
Mesmo já sendo adulta, a sua criança interior ferida estará tentando mostrar para os pais que é capaz e, por associação, a todas as outras pessoas.
Por isso, quem vive assim, torna-se uma pessoa muito infeliz. Tudo representa uma ameaça.
Está sempre tentando provar aos outros que é capaz e, ao mesmo tempo, as suas crenças boicotam a sua capacidade.
A criança interna é, portanto, a estrutura psíquica subconsciente que trazemos, fruto das experiências que tivemos na infância, que pode ter sido mais, ou menos feliz, ou pode ter sido mais, ou menos maltratada.

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É importante saber que, quando a pessoa foi maltratada na infância, a criança interna que esse adulto traz em si está ferida, necessitando ser cuidada para se tornar uma criança interna feliz.
A cada momento, somos convidados pela vida a nos aprofundarmos em nós mesmos, para ter acesso à nossa criança interna ferida, para que possamos curá-la, dentro de nossas possibilidades, para tornar a criança interna feliz.
Todos nós podemos curar a nossa criança interna, tornando-a feliz.
É importante que todos os pais e mães curem a sua criança interna ferida para melhor tratar os seus filhos, porque, caso contrário, tenderão a repetir com eles as mesmas ações que receberam dos seus pais.
É esse autoamor que vai fazer com que a nossa criança interna ferida se torne uma criança interna feliz.
É possível fazer exercícios de cura da criança interna ferida todas as vezes em que percebermos a criança interna ferida se manifestando por meio da impotência, ou dependência que sentimos quando adultos.
Nesses exercícios, devemos nos proporcionar diálogos mentais amorosos entre o Ser Essencial que somos, o Terapeuta Interior, e a criança interna ferida, de modo a acolhê-la e fazer com que ela perceba que o desamor é do passado, e que ela tem um adulto amoroso o tempo todo com ela, amparando-a incondicionalmente.
Um cuidado que se deve tomar nesses diálogos mentais para a cura da criança interna ferida é evitar que, ao invés de assumir a postura do Terapeuta interior amoroso, que é vertical, de amor incondicional, tratando a criança com amor, respeito e carinho, assumamos a postura egoica evidente ou mascarada, repreendendo a criança, tratando-a com desamor, ou com pseudoamor, como uma coitada, como se ela fosse uma vítima incapaz.
Só seremos adultos equilibrados se a nossa criança interna estiver feliz e equilibrada.
A depressão, assim como outras doenças emocionais vêm da infância, da falta de amor que o pai e a mãe tiveram quando criança, e que acabam por se vingar de uma forma subconsciente nos próprios filhos, por trazerem as suas crianças internas profundamente feridas, não se dispondo, depois de adultos, a amá-las para poderem amar os seus filhos.
Portanto, é fundamental realizar exercícios para curar a criança interna ferida.
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