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Jesus, o Cristo, o Ser Consciencial, arquétipo de Perfeição

Em nossos artigos anteriores sobre a Psicologia Consciencial, vimos a importância do código moral de leis e da prática das virtudes. Na história da humanidade, temos inúmeros exemplos de pessoas que fizeram de suas vidas um caminho de prática de virtudes, mas ninguém se igualou a Jesus Cristo.

Jesus é o arquétipo da perfeição, exemplo de ser psicológico profundamente conectado com o código moral de leis.
Convidamos a todos os nossos leitores a refletirem uma concepção de Jesus, que vai muito além do homem histórico e da mitificação que fizeram dele. Na concepção teológico-dogmática, Jesus é analisado de forma mitificada, a ponto de muitos acreditarem que ele é Deus, uma forma de tornar Deus um ser antropomórfico. Nessa concepção dogmática, Jesus é distanciado do ser humano terrestre, que o tornaram um mito e não um referencial a ser alcançado.
Ao colocar Jesus como arquétipo da perfeição, buscamos separar, claramente, o Jesus concebido pelos homens depois dele e o Jesus manifesto em ações, palavras e atos em cada momento de sua própria vida. Como pôde um ser humano alcançar um ideal acima das conjecturas e dos desafios da humanidade à sua época?
A partir dos atos registrados nos Evangelhos, temos um ser humano cuja atitude ética, consciencial, se tornou geradora de um novo paradigma que a humanidade até, então, desconhecia, a ponto de dividir a história em dois períodos, antes e depois dele.
Algumas pessoas podem argumentar que existem muitas outras pessoas que se destacaram na história da humanidade. Isso é verdade, contudo não há ninguém como Jesus, pois dele partiu todo um compêndio de pensamentos derivados de sua mensagem, dos seus ensinos e, sobretudo, de sua exemplificação que se tornaram referência de Psicologia Consciencial para todos os povos, exemplo máximo da capacidade de um ser humano seguir a própria consciência.

Nosso Entendimento

Em nosso entendimento, Jesus é um Espírito imortal que evoluiu até a condição que ele se tornou. É criação divina como todos nós e como ele mesmo ensinou todos nós poderemos chegar à evolução que ele adquiriu. Vejamos o que ele diz em João 14:12 – Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.
Como ser humano que é, Jesus é um exemplo de Ser que em sua psicologia nos demonstra profundamente como exercitar as virtudes, cumprindo o código moral de leis. Toda a sua vida é uma sucessão de prática de virtudes como o amor, a compaixão, a humildade, a mansidão, a verdade, a resiliência, a fé convicta, a caridade, a simplicidade, a autenticidade, enfim, o conjunto de todas virtudes em sua mais elevada acepção e concepção.

Psicoterapeuta junguiana

A psicoterapeuta junguiana alemã Hanna Wolf, em sua obra Jesus, psicoterapeuta, afirma que:

É, de resto, o próprio Jesus, este terapeuta, quem se define como ‘médico’, porém não para os sãos ou aqueles que presumem sê-lo, mas para os doentes que têm a coragem de reconhecer-se como tais. Este médico não é um diletante que fala, digamos, da experiência própria, sem reconhecer com precisão qual seja, na realidade, o grandioso significado disso. Não é um charlatão que dê vazão a estados emocionais, para, em seguida, deixar cada coisa como era antes. Não é tampouco um mero curioso, interessado apenas em sintomas, segundo o método do ‘logo feito, logo liquidado’. Não, em cada caso, ele aponta diretamente para o ‘interior’, para a essência, indo além das simples aparências. Olha para o ‘íntimo’, no coração, e isto significa, na linguagem do Novo Testamento, o homem em sua totalidade, feito de corpo e alma. Suas palavras e seus atos, em qualquer situação, não se inspiram numa doutrina de fácil aplicação ou numa teoria válida, em geral. O seu olhar penetra em profundidade, e é toda a sua personalidade que entra em jogo. Para usarmos uma imagem, é como aquele que, edificando uma casa, ‘cava em profundidade’, até atingir a rocha que lhe dê sustento. Ele, enfim, sustenta que a personalidade deve encontrar, desta maneira, o seu fundamento: “e por isso, cavou muito fundo”. Que outra coisa faz, ou procura fazer, o analista, o psicoterapeuta?

A tradição viu, unanimemente, em Jesus a imagem de um terapeuta excepcionalmente dotado. “Não precisava que alguém o informasse a respeito dos homens, pois sabia muito bem o que vai no coração de cada um.”

[…] O novo testamento atesta, em seguida, que a impressão dominante por ele despertada era a de quem sabia ensinar e falar ‘com poder e com toda a autoridade’. Não é que agisse com violência ou se impusesse com arbítrio a alguém; antes, ficavam todos convencidos daquilo que ele dizia. Não era apenas a sua palavra que convencia, mas, sobretudo, a eficácia da sua ação, ‘porque dele saía uma força que curava todos os males’. A terapia que ele punha em prática era a sua própria personalidade[1].

Brilhantes as afirmações da Dra. Wolf, reconhecendo a autoridade moral de Jesus, arquétipo de ser psicológico plenamente consciente.

Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung também aborda em várias de suas obras a importância de Jesus para a humanidade, como arquétipo da totalidade do Self.

[…] Eis na verdade a grande questão: podemos interpretar Cristo ainda hoje ou devemos contentar-nos com a explicação histórica? Uma coisa me parece fora de dúvida: Cristo é uma figura extremamente numinosa[2].

De ponto de vista psicológico tal concepção pode ser interpretada do seguinte modo: Cristo viveu uma vida concreta, pessoal, e única, a qual, todos os seus traços essenciais, apresentava igualmente um caráter arquetípico. Reconhece-se tal caráter pelas múltiplas relações existentes entre os detalhes biográficos e os temas bíblicos amplamente difundidos. Estas relações inegáveis constituem o motivo pelo qual a investigação da vida de Jesus se choca com tantas dificuldades, no empenho de extrair dos relatos evangélicos uma vida individual e despojada do mito. Nos próprios evangelhos, os relatos de fatos reais, a lenda e o mito se entrelaçam em um todo que constitui, precisamente, o sentido dos evangelhos. Perde-se este caráter de totalidade, tão logo se procure separar, com o escalpelo, o individual do arquetípico. A vida de Cristo não constitui exceção, porque não são poucas as grandes figuras históricas que realizaram, de modo mais ou menos perceptível, o arquétipo da vida heroica, com suas peripécias características. Mas o homem comum também vive inconscientemente as formas arquetípicas; no entanto, devido a ignorância generalizada em matéria de psicologia, não as reconhece. […] Ora, sendo a vida de Cristo, em alto grau, arquetípica, em igual medida representa a vida do arquétipo[3].

Cristo elucida o arquétipo do Self (si-mesmo).[4](grifos nossos).

Jung vai além, colocando o Cristo como referencial para que todos nós desenvolvamos o Cristo interior, que em sua concepção é sinônimo do Self (si-mesmo). Reflitamos o que ele afirma:

O Self (si-mesmo) ou o Cristo está presente em cada um de nós a priori, mas inicialmente em geral no estado de inconsciência. Mas é decisivamente uma experiência da vida posterior, se este fato se tornar consciente. Não é possível apropriar-se dele por meio da aprendizagem ou da sugestão. Ele só é uma realidade quando acontece, e só pode acontecer quando retiramos nossas projeções de um Cristo exterior, histórico ou metafísico, dessa maneira, despertamos o Cristo interior. Isto não significa que o Self inconsciente seja inativo, mas apenas que não o compreendemos. O Self (ou Cristo) não pode tornar-se real e consciente sem o retraimento das projeções externas. É necessário um ato de introjeção, isto é, o conhecimento de que o Self vive em nós e não uma figura externa, separada e diferente de nós. O Self sempre foi nosso centro mais íntimo e nossa periferia, nossa scintilla e nosso punctum solis, e assim continuará sendo[5].

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O ARQUÉTIPO PRIMORDIAL

Concordamos plenamente com Jung nessa afirmação, pois Jesus, o Cristo, deve ser um modelo para nós desenvolvermos o Cristo interior, ou seja, o Ser Essencial que somos, e não idolatrado como uma figura metafísica inacessível, que é transformado em mito para ser adorado, e não modelado.
Para despertarmos o Cristo interior, somos convidados a nos conectar em profundidade com o código moral de leis e desenvolver as virtudes exemplificadas por Jesus, libertando-nos das projeções externas, que tornam o Cristo um mito cujo ideal é inatingível. Como diz Jung, é necessário um ato de introjeção para que aconteça a conquista da identidade essencial, a identificação com o arquétipo da totalidade, o Self, no qual Deus se manifesta em nós.
Jung diz que não é possível a totalidade sem Deus: “Os símbolos do Self coincidem com o da divindade. O Self não é o eu, ele simboliza a totalidade do homem, e este obviamente não é completo sem Deus[6].
Portanto, o caminho a ser percorrido é o desenvolvimento do Cristo interior, o Ser Essencial, por meio da prática das virtudes cumprindo-se o código moral de leis, no qual Jesus, o Cristo, é o arquétipo da perfeição, ou seja, o modelo ideal para todos nós nos conectarmos com o Arquétipo Primordial, Deus, na vertical da vida em um processo de totalidade, na qual evoluímos gradualmente até a plenitude.
O grande compromisso da Psicologia Consciencial é o de auxiliar o ser humano no seu processo de individuação, a partir do encontro do numinoso[7] que existe em cada um de nós, ou seja, o nosso autoencontro como Seres Essenciais identificados com as virtudes primordiais do amor e da verdade, dispostos a fazer esforços para desenvolver a inteligência consciencial.
 
Espero ter ajudado! Se gostou desse artigo não deixe de compartilhar e comentar aqui em baixo caso ainda tenha alguma dúvida ficarei feliz em sanar.
 
[1] WOLF, Hanna. Jesus, psicoterapeuta. São Paulo: Edições Paulinas, 1990. P. 12,13,15
[2] JUNG, C. G. Resposta a Jó. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 75
[3] ______. Psicologia e religião. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 110
[4] ______. Aion: estudo sobre a simbologia do si-mesmo. Petrópolis: Vozes. 2000, p. 52
[5] JUNG, C. G. A vida simbólica. V.II, Petrópolis: Vozes, 2000, p. 330.
[6] Ibidem.
[7] Relativo ao transcendente, que gera autoiluminação.

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