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O fluxo do amor como gerador de saúde emocional

O fluxo do amor como gerador de saúde emocional

Neste artigo sobre Psicologia Consciencial refletiremos sobre o autoamor, virtude fundamental para o equilíbrio emocional.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus, 22:39)
O amor é uma virtude fundamental para que desenvolvamos a inteligência consciencial e façamos escolhas conscienciais, cumprindo o código moral de leis.
É uma virtude que está ínsita em nós em nossa própria essência.
O Ser Essencial é uma energia de luz e amor.
O amor não é abstrato, é concreto, uma lei da natureza, que existe para ser manifestado.
Tornamo-nos, pela manifestação do amor, plenamente conscientes das leis de Deus, estabelecendo o fluxo do amor, respeito e vivência do código moral de leis de uma maneira cada vez mais consciencial.
O exercício efetivo do amor começa consigo mesmo.
Então, tudo que o promover a um estado de autoamor – que não é um sentimento simplório, pois está permeado por outros sentimentos – o indivíduo começa a fomentar essa relação mais íntima com o código moral presente em sua consciência.

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Reflitamos, a seguir, essa trajetória do Ser por meio de uma das mais profundas parábolas do Evangelho de Jesus, a Parábola do Sentido Existencial (Lucas 15: 11 a 32), dentro de uma abordagem psicológica consciencial, na qual utilizamos a terapia dos símbolos para nos conectarmos com a essência que está ínsita nas palavras utilizadas pelo Cristo.

E disse: Um certo homem tinha dois filhos.

E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da herança que tenho direito. E ele repartiu por eles a fazenda.

E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.

E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.

E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.

E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.

E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!

Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti.

Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores.

E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou.

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.

E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.

E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.

E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele.

Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.

Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas.

Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e achou-se.[1]

Como já referimos, o Evangelho de Jesus é amplamente utilizado na Psicologia Consciencial por meio da terapia dos símbolos.
Esta parábola traz de uma forma sintética todas as possibilidades que o ser humano tem de vivenciar a sua vida com amor, desamor ou pseudoamor.
Vejamos os principais símbolos utilizados:

  • Filho pródigo indo para a terra longínqua: representa o afastamento do código moral de leis presentes na própria consciência.
  • Filho pródigo arrependido: representa o arrependimento pelos atos cometidos e a busca da reparação a partir do retorno à casa do pai, isto é, a efetivação da individuação, o retorno para cumprir o código moral de leis por meio do exercício das virtudes.
  • Filho mais velho: representa o processo de mascaramento do ego, em um processo autoenganoso, no qual o indivíduo pensa que está exercitando virtudes, mas que, em verdade, são pseudovirtudes.
  • Casa do Pai: representa o Ser Consciencial, que todos nós somos em sintonia com Deus, ou seja, o Ser em plena sintonia com a sua consciência para utilizar a personalidade transitória em sintonia com o Ser Essencial.
  • Pai: representa o Arquétipo Primordial, Deus.

Além desses, temos muitos outros símbolos nessa parábola riquíssima, que representam várias estruturas psíquicas e emocionais que costumamos manter, conforme refletiremos.
A parábola apresenta a trajetória de todos nós, pois os símbolos representam a Humanidade.
Temos em nós a parte que representa o filho mais novo na primeira fase: o filho gozador que desperdiça os bens paternos e depois entra em carência.
Temos a parte do filho mais novo na segunda fase, quando arrependido busca a reparação.
E temos a parte do filho mais velho: o servo que aparenta ser um filho dedicado.
Concluímos, com base na análise psicológica consciencial da parábola, que temos três arquétipos:
Arquétipo do filho gozador: representa a utilização da personalidade em sintonia com o ego evidente, ou seja, todos os indivíduos que utilizam o livre-arbítrio na prática do desamor, indo para a terra longínqua, produzindo mal para si mesmos e para os outros na busca dos prazeres egoicos, desperdiçando os recursos que recebem de Deus para evoluir, tendo como consequência a carência e o sofrimento.
Quando enveredamos pelo desamor, vamos terminar sempre em carência e amargura, porque ao entrarmos pela porta larga terminaremos em um caminho que leva sempre ao abismo do sofrimento.

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Psicologicamente, esse arquétipo representa o fenômeno denominado de fissão do eixo ego/Ser Essencial, que abordaremos em detalhes no capítulo seguinte, gerador de muitos conflitos conscienciais.
Optando por esse caminho, geramos um conflito necessário, pois praticar o desamor macula a nossa intimidade, porquanto não agimos em sintonia com o código moral de leis existente na consciência, que, sendo o legado divino em nós, só pode ser alimentada pela prática das virtudes derivadas do amor.
Esse conflito é promotor da evolução, pois ninguém ficará para sempre manifestando esse arquétipo, porque, cedo ou tarde, tomará consciência do mal que faz para si mesmo e mobilizará a vontade de autotransformação.
Arquétipo do filho arrependido buscando reabilitação: representa a utilização da personalidade em sintonia com o Ser Essencial.
É a segunda fase do filho mais novo, quando ele se arrepende, cai em si e volta para a casa do pai.
Representa as pessoas que, após sofrerem as consequências da prática do desamor, tomam consciência do mal realizado, arrependem-se e resolvem retornar à casa do pai, ao amor do qual se distanciaram, para a comunhão com Deus.
É a fase de reabilitação impulsionada pelo conflito necessário, superando-o pelo esforço de autotransformação resultante do cumprimento do código moral de leis pela prática das virtudes.
Psicologicamente, representa o processo da individuação. Jung, no livro O inconsciente, afirma que:

Individuação significa tornar-se um ser único na medida que por individualidade entendemos a nossa singularidade mais íntima, última e incomparável. Significando também que nos tornamos o nosso próprio Self (si mesmo). Podemos pois traduzir individuação como tornar-se si mesmo ou realizar-se do si mesmo”.[2]

É a fusão do eixo ego/Ser Essencial que estava fissurado.
Arquétipo do filho aparentemente dedicado: representa a utilização da personalidade em sintonia com o ego mascarado, ou seja, aqueles indivíduos que desenvolvem o pseudoamor, para aparentar uma dedicação que de fato não praticam, tentando, com isso, enganar os outros e até Deus, como se isso fosse possível.
É gerador do personismo, que, segundo Jung, representa uma falsa individuação, aprofundando a fissão do eixo ego/Ser Essencial.
Em realidade, geram com isso o autoengano, afastando-se da comunhão que o verdadeiro amor proporciona, e criam um conflito desnecessário.
Esse conflito atormenta o indivíduo e não produz evolução, ao contrário, aprofunda-o nos sentimentos egoicos, que não são transmutados pela prática das virtudes, e sim camuflados pelas pseudovirtudes, até que o indivíduo perceba que está produzindo um conflito totalmente desnecessário e queira superar o pseudoamor, pela prática do verdadeiro amor.
A Humanidade, como um todo, tanto quanto nós, individualmente, é portadora dos três arquétipos.
Em alguns, predomina o filho gozador, em outros, o filho arrependido, e, em outros, o filho aparentemente dedicado, mas todos, de certa forma, temos alguma coisa dos três perfis.
Jesus se refere nessa parábola, portanto, aos diferentes aspectos da nossa personalidade na vida atual e também de subpersonalidades que trazemos de vidas anteriores.
Podemos passar existências inteiras como o filho gozador inconsequente, depois outras sofrendo as consequências disso, para depois passar por outras existências arrependidos, buscando a reparação, bem como passar várias existências como servos, sentindo-nos escravos, em uma aparente dedicação de filho.
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[1] Lucas 15: 11 a 32
[2] JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2000. v. 2, p. 63

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