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Por que sentimos raiva e como você pode controlá-la

João perdeu o voo por ter chegado tarde ao aeroporto em Congonhas em São Paulo. Pelo fato de ser o último voo que partia naquele dia para sua cidade, foi informado pela atendente da companhia que deveria pagar uma multa e aguardar para embarcar no dia seguinte.
Ao ser comunicado disso, João tomou-se de uma profunda raiva e começou a xingar a atendente. Não satisfeito, ele pegou o telefone celular e o atirou com muita raiva no chão, partindo o aparelho em vários pedaços. Depois disso, juntou os cacos do aparelho e mais uma vez atirou-os ao chão, tremendo muito, gerando constrangimento e medo nos demais passageiros que estavam na fila, próximos a ele.

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Não satisfeito com tudo o que causou, começou a gritar que nada funciona neste país, que tinha pegado muito trânsito no caminho do aeroporto e, por isso, havia chegado atrasado e ele não tinha culpa disso. Logo depois saiu da sala da companhia aérea para o saguão do aeroporto ainda gritando com muita raiva e ódio que tinha muita coisa importante para fazer na sua cidade e que agora tudo estava perdido…

Fatos como o acontecido com João são muito comuns e têm acontecido com muitas pessoas. É como se vivessem com os nervos a flor da pele e qualquer coisa que as contrariam provoca uma crise de raiva. Muitos vivem em uma constante irritação com tudo e com todos.

Por que isso acontece? A psicologia consciencial nos diz que esse tipo de acontecimento ocorre devido ao que se chama ilusão de controle. Temos uma ideia de que é possível controlar os acontecimentos à nossa volta, as pessoas e até o tempo. Quando algo acontece de forma diferente daquilo que planejamos, sentimos como se tivéssemos sendo afrontados em nossos direitos. Por isso, a pessoa muitas vezes se descontrola devido a imensa raiva que sente.
Porém, será que é isso mesmo? Será que estamos sendo afrontados ou, ao contrário, estamos afrontando a ordem natural das coisas? Reflitamos, é possível mudar as conjunturas externas? No caso de João, seria possível para a companhia aérea aguardá-lo chegar ao aeroporto deixando todos os demais passageiros esperando ou criar um voo específico somente para ele?

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Quando analisamos racionalmente percebemos que não faria sentido nada disso, contudo por que muitos se sentem afrontados quando algo semelhante acontece? (A propósito, já presenciei dezenas de situações parecidas em aeroportos e creio que a maioria de nossos leitores também.)
Por que então essa dissonância entre razão e emoção? Novamente, a psicologia consciencial vem em nosso socorro com as respostas. Quando estamos mergulhados na ilusão de controle não conseguimos pensar de uma forma lógica e racional e, por isso, damos vazão a sentimentos como a raiva, a cólera, a irritação, a ansiedade etc. que nos prejudicam intensamente a saúde física, mental e emocional. É como se ficássemos emocionalmente incapazes naquele momento. Daí a atitude infantil de João no aeroporto.
Por isso, é fundamental exercitar uma virtude muito importante para nos libertarmos da ilusão de controle – a aceitação – ou seja, aceitar as coisas que não podemos mudar como o tempo, o que as demais pessoas pensam e sentem etc.

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O foco deve ser em nós mesmos e no tempo presente, por ser o âmbito que temos verdadeiro poder. Voltemos a analisar o caso de João, para uma possível solução em que ele evitasse a crise de raiva. O primeiro passo seria João aceitar o fato consumado, ou seja, que não tinha como controlar o tempo que levou para chegar ao aeroporto, porque isso era passado. A única coisa positiva que ele poderia fazer era aprender com o erro de ir para o aeroporto faltando pouco tempo, como foi o caso, em uma cidade como São Paulo, que tem um trânsito imprevisível.
Após isso, João deve centrar em si mesmo e no tempo presente, fazendo perguntas para si mesmo do tipo: o que eu posso fazer agora? O que não posso? Por mais simples que sejam, perguntas como estas ajudam muito a superar a ilusão de controle. A partir delas João pode chegar às seguintes conclusões: Não posso mudar aquilo que já aconteceu. Posso buscar de uma forma calma e serena resolver as questões de acordo com as novas conjunturas, centrado no poder que eu tenho de tomar decisões.
E, a partir daí, João deve passar a agir de acordo com o novo planejamento. A aceitação é, portanto, a virtude que nos liberta da prepotência (abuso de poder) e de muitas crises de raiva, pacificando o nosso coração.
Espero ter ajudado! Se gostou desse artigo não deixe de compartilhar e comentar aqui em baixo caso ainda tenha alguma dúvida ficarei feliz em sanar.

 

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