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Psicologia Consciencial, Espiritualidade e Religiosidade

A psicologia tem-se desenvolvido muito nos últimos cem anos. No final dos anos cinquenta e início dos sessenta do século XX, desenvolveu-se uma nova força na Psicologia denominada Psicologia Humanista, cujo objetivo principal era o de estudar a experiência humana e tudo o que há de mais essencial à vida e ao bem-estar das pessoas. Esta 3a  força seguiu-se à segunda  força denominada Psicanálise e à 1a força, o Behaviorismo.

A partir da Psicologia Humanista, desenvolveu-se no final dos anos sessenta uma nova força, denominada Psicologia Transpessoal. Essa força possui várias correntes de pensamento.  Desenvolvemos durante mais de duas décadas no Instituto Brasileiro de Plenitude Humana as bases de uma nova corrente de orientação transpessoal, a Psicologia Consciencial.

 A Psicologia Transpessoal está centrada no desenvolvimento da saúde do ser humano, abordando-o dentro de uma visão ampla, holística e cósmica, em que o homem é apreciado em seus aspectos biológicos, psíquicos, sociais e espirituais. O transpessoal é aquilo que busca transcender o pessoal, isto é, dentro de uma abordagem psicológica, ir além do ego, ao encontro da essência do ser humano.

Vários ramos da ciência, como a Psicologia Transpessoal, têm caminhado em direção a uma espiritualização, sempre tendo como enfoque as questões científicas e não religiosas. A este propósito é importante diferenciar o espiritual do religioso, pois há uma confusão entre as duas questões, especialmente quando a ciência busca o caminho do espiritual.

Para que possamos compreender esse quadro vigente e ter argumentos para modificá-lo, façamos uma diferenciação baseada no paradigma transpessoal-consciencial, entre espiritualidade, religiosidade.

Espiritualidade: segundo o paradigma transpessoal, somos seres espirituais e temos transitoriamente um corpo físico. Somos, portanto, muito mais que os nossos corpos físicos.

Vários teóricos da Psicologia aventaram a existência do Ser como um Espírito, tais como Carl G. Jung, Roberto Assagioli, Viktor Frankl, Willian James, dentre outros.

Reflitamos sobre o pensamento de um dos mais eminentes, Viktor Frankl, o grande psiquiatra austríaco criador da logoterapia, que em sua obra a Presença ignorada de Deus diz o seguinte:

          Pelo fato de o ser humano estar centrado como indivíduo em uma pessoa determinada (como centro espiritual existencial), e somente por isso, o ser humano é também um ser integrado: somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano. Ela forma essa totalidade como sendo biopsicoespiritual. Não será demais enfatizar que somente essa totalidade tripla torna o ser humano completo. Portanto não se justifica, como frequentemente ocorre, falar do ser humano como uma totalidade “corpo-mente”; corpo e mente podem constituir uma unidade, por exemplo, a “unidade” psicofísica, porém essa unidade jamais seria capaz de representar a totalidade humana. A essa totalidade, ao ser humano total, pertence o espiritual, e lhe pertence como a sua característica mais específica. Enquanto somente se falar de corpo e mente, é evidente que não se pode estar falando da totalidade.[1] (grifos nossos)

Conforme Frankl afirma, a dimensão espiritual no homem é a mais elevada, representando a sua totalidade biopsicoespiritual, afirmação esta que concordamos plenamente, pois admitindo-se apenas o binômio corpo-mente não temos como explicar vários fenômenos ligados ao sentido existencial. O corpo não pode responder a fenômenos muito mais elevados do que os biológicos.

Espiritualidade, portanto, significa a busca da própria essência interior, fato que se constitui uma necessidade de todo ser humano. Por isso, o objetivo da ciência deve ser o de proporcionar o autoencontro do ser humano. Esse é um dos objetivos da Psicologia Consciencial.

Religiosidade: A palavra religiosidade origina-se do latim religare, ato de ligar alguma coisa a algo ao qual já foi ligada. A religiosidade é o ato que leva a criatura a se religar ao seu Criador.

É uma consequência da espiritualidade, pois, na medida em que ocorre o encontro consigo mesmo em essência, com a Essência Divina que somos, o ser humano sente a necessidade de se religar a Deus, Arquétipo Primordial. É também um sentimento inato de todo ser humano, pois existe em todas as culturas e em todos os povos.

Por mais que o paradigma materialista tente sufocar esse sentimento no ser humano, ele está sempre buscando religar-se a Deus, de forma consciente e até inconsciente, devido à intensa repressão que o materialismo gera, porquanto a presença de Deus é imanente em nós.

Vejamos o que Viktor Frankl diz sobre isso no livro A Presença Ignorada de Deus:

          […] Ademais, numa terceira etapa de desenvolvimento, a análise existencial descobriu, dentro da espiritualidade inconsciente do ser humano, algo como uma religiosidade inconsciente no sentido de um relacionamento inconsciente com Deus, de uma relação com o transcendente que, pelo visto, é imanente no ser humano, embora muitas vezes permaneça latente. Enquanto que com a descoberta da espiritualidade inconsciente surgiu o eu (espiritual) por trás do id (inconsciente), com a descoberta da religiosidade inconsciente apareceu o tu transcendente por trás do eu imanente. Assim, se inicialmente o eu se revelou como “também inconsciente”, ou o inconsciente como sendo “também espiritual”, agora esse inconsciente espiritual mostrou ser “também transcendente”.

[…]

          Nossa formulação de um Deus inconsciente não significa, porém, que Deus, em si mesmo e por si mesmo, seja inconsciente; ao contrário, quer dizer que, às vezes, Deus permanece inconsciente para nós, que nossa relação com ele pode ser inconsciente, ou reprimida, e assim, oculta para nós mesmos.

A abordagem de Deus na Psicologia Consciencial é não teológica e não dogmática, características muito presentes nas religiões.

A verdadeira ciência tem o papel de oferecer subsídios aos seres humanos para que ampliem a sua visão de espiritualidade e de religiosidade, para que se libertem do fanatismo, da superstição e do pensamento mágico, que ainda subsistem em muitas religiões. Na medida em que a ciência se liberta do dogmatismo e torna claras e lógicas todas as questões referentes ao Espírito no seu processo de ser um Ser em evolução e a Deus como sendo uma Grande Energia Criadora que organiza e comanda o Universo, ela cumpre o seu papel de auxiliar a proporcionar um sentido para a vida do Ser Humano.

Esse é o grande papel da Psicologia Consciencial.

[1] Frankl, Viktor – A ignorada presença de Deus – Editora Vozes

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