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Como você deve encarar seu ego?

Como você deve encarar seu ego?

Na abordagem da PsicologiConsciencial, o ego é uma estrutura transitória de nossa psique, que deve ser transcendida para se buscar aquilo que é permanente, o Essencial em nós mesmos. O ego é aquele que não é, pois é transitório. 
Podemos atestar, dentro de uma visão consciencial, que o ego não existe como uma entidade em nossa psique a ser reforçada como as correntes tradicionais da psicologia conceituam. O conceito de ego como uma entidade separada a ser fortalecida é fruto do materialismo que ainda predomina nas diferentes abordagens psicológicas. 

O ego, na abordagem psicológica consciencial, representa uma parte do todo que forma a nossa psique, no qual as virtudes essenciais não estão sendo exercitadas, dando origem aos sentimentos egoicos, como orgulho, ansiedade, egoísmo etc. 

Analisemos, por exemplo, esta tríade: orgulho, ansiedade e egoísmo. Esses sentimentos são apenas nomenclaturas para que identifiquemos a ausência do exercício das virtudes essenciais. Eles não são reais. Não podemos dizer que eles não existem, mas não são reais, no sentido de que o real é o permanente, é o essencial. Eles são a ausência do exercício da virtude correspondente. Dentro do conceito da impermanência, por mais que, em nós, haja orgulho, egoísmo e ansiedade, de um ponto de vista transcendente, cedo ou tarde, todos vamos nos libertar desses sentimentos, apesar de que circunstancialmente eles se tornam reais naquele momento, gerando a densificação do ego. Mas, ao longo do tempo, eles tendem a desaparecer, porque o ego é aquele que não é. 
Todos esses sentimentos egoicos não sãoestão, porque são ausência do exercício das virtudes essenciais que somos. O que queremos colocar é a questão da ausência, do não serdo estar. O estado é impermanente. O orgulho é a ausência do exercício da virtude da humildade. A ansiedade é a ausência do exercício da virtude da serenidade. O egoísmo é a ausência do exercício da virtude do altruísmo. 
Quando não nos dispomos a desenvolver as virtudes latentes do Ser Essencial, estamos vivendo o irreal do não ser. O ego é apenas o não movimento do Ser Essencial (Self). Quando o Ser Essencial não ageo ego que não é se situa, transitoriamente. 

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Utilizemos agora uma linguagem metafórica para facilitar ainda mais o entendimento: suponhamos que o nosso Ser fosse uma mão com 5 dedos. Cada um com uma função. Mas apenas 4 dedos exercitam a sua função. O polegar não. Ele é menos dedo do que os outros? Ele é coisa diferente da mão? Ele continua sendo parte, apenas não exerce a sua função. Ele apenas não faz o que é preciso. Então o que acontece? Quando a energia vai fluir para os dedos, no polegar ela não flui. Cria-se, assim, um hábito: a energia não flui ali. Só que, quando os 4 dedos passam a perceber que alguma coisa não, há um movimento porque tudo na natureza é solidário. Eles são impulsionados ao sim, e há um dedo que não. Quando todos tomam contato de que o polegar não cumpre a sua função, começam os exercícios para que ele sim, para que ele cumpra a sua função e a energia flua. Até que ele sim, cumpra-a. Enquanto ele não cumpre, é ego; depois que sim, passa a ser essência, porquanto era o tempo todo essência, mas essência não. 
Vamos nominar cada dedo com uma virtude essencial: amor, compaixão, mansidão, perdão e humildade. Cada dedo existe para exercitar a sua função. Quando o polegar não, quando não há o exercício da virtude da humildade, o não que se cria aqui chamamos de orgulho, porque o orgulho é um não valor. Ele é não real, porque o real nunca acaba. A partir do momento em que começamos a exercitar a humildade, o orgulho começa a desaparecer, pois se torna sim, o valor real. É claro que essa transmutação vai acontecer gradualmente no processo de desenvolvimento da inteligência consciencial. 
Podemos, então, sintetizar dizendo que o autoconhecimento é o movimento de discernir, buscando perceber em nós os sentimentos egoicos, tratando-os como emoções transitórias, possíveis de serem controladas e transmutadas, por meio do desenvolvimento das virtudes originadas no Ser Essencial que somos. 
Quando utilizamos esse discernimento, refletindo sobre as nossas emoções, o autodomínio torna-se uma tarefa possível de ser realizada. Lamentavelmente, a maioria das pessoas, ao invés de ressignificar as emoções egoicas evidentes desenvolvendo as virtudes, tenta reprimi-las e bloqueá-las, criando as máscaras do ego, processo de fuga da realidade que apenas retarda o encontro com o Ser Essencial que somos. 
Portanto, o caminho inteligente consciencialmente é o desenvolvimento gradual das virtudes essenciais.  
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