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Você sabe como lidar com o perfeccionismo?

Você sabe como lidar com o perfeccionismo?

No processo de desenvolver a inteligência emocional somos convidados a buscar o autoconhecimento e após esse trabalho, gradualmente, é necessário exercitar o autodomínio, ou seja, o domínio das emoções negativas, para transformá-las em positivas, aprendendo a discernir o que queremos para nós.

O autodomínio é um movimento de transformação de limitações em oportunidades de crescimento interior, conseguido por meio do discernimento.

A melhor forma de discernir é observarmos o que ocorre em nossos comportamentos, para a partir daí, ir aprofundando até chegar às causas desses comportamentos. Esse procedimento nos impedirá de mascarar os problemas e avaliar de uma forma proativa os fatos.
Analisemos, para efeito didático como é o autodomínio do perfeccionismo, uma tendência que muitas pessoas trazem e que gera muitos conflitos. O perfeccionista é alguém que deseja realizar tudo perfeito sempre. À primeira vista isso parece muito bom, mas na verdade é uma máscara do ego, impossível de ser realizada. Não é algo virtuoso, mas pseudovirtuoso.
O nível do comportamento é o mais fácil de ser observado, porquanto nesse nível não é possível nos enganamos quanto às energias egoicas que vivenciamos, pois os resultados, quando egoicos, tendem a ser negativos, gerando desequilíbrio, mal-estar, desconforto, enquanto as energias provenientes da prática das virtudes como o poder de aperfeiçoamento produzem resultados positivos geradores de equilíbrio emocional, harmonia e bem-estar.
Os problemas relacionados ao perfeccionismo mais fáceis de detectar ocorrem quanto acontece algum erro, ou seja, quando o perfeccionista erra ou quando pessoas relacionadas a ele erram. É o nível mais periférico. Nesse caso, ele reage com sentimentos de ansiedade, raiva, angústia, insegurança, revolta, culpa de si mesmo e dos outros, punição de si mesmo e dos outros inflexibilidade, inaceitação da possibilidade de errar em si mesmo e nos outros.
A seguir, é o nível das emoções mais profundas que causam as periféricas. No caso do perfeccionismo, essas emoções têm a ver com o abuso do poder, isto é, ele deseja ter um poder e uma capacidade maior do que o normal. O indivíduo se julga perfeito e tem um movimento de estar sempre demonstrando isso.
Por isso, o perfeccionista tem um sentimento de pseudo-onipotência e a prepotência muito grande. Deseja poder tudo e querer controlar a tudo e a todos. O perfeccionismo é uma forma de comprovar aquilo que ele pensa de si mesmo, fazendo tudo certo e não errando em momento algum.
Percebamos que essa forma de atuar gera o comportamento da inflexibilidade e da inaceitação do erro. Como em nosso estágio evolutivo isso é impossível de ser efetivado, associado ao perfeccionismo existe uma outra máscara do ego – a vitimização.
Associada à pseudo-onipotência/prepotência temos também um movimento emocional caracterizado pelo complexo de superioridade, sentimento de se sentir superior, mais capaz, mais inteligente etc. do que os outros. Comumente, esse movimento é utilizado, consciente ou subconscientemente, para fugir do complexo de inferioridade, procurando-se superar os sentimentos de impotência e insegurança, reagindo de uma forma pseudossuperior.
Quando o indivíduo erra, surge um sentimento de impotência, que é o polo passivo da pseduo-onipotência/prepotência. Comumente, o indivíduo que quer controlar tudo e a todos e pensa que é capaz de tudo, ao obter como resultado o contrário, reage de forma oposta ao movimento que vinha ocorrendo até então. Passa a pensar que não pode nada, que não é capaz de controlar nada, que não consegue nada na vida etc., gerando o movimento emocional de vitimização, em que ele se coloca como incapaz. Esse movimento emocional gera o comportamento de insegurança.
Associado à impotência, temos também o movimento emocional caracterizado pelo complexo de inferioridade, que é o sentimento de se sentir inferior, menos capaz, menos inteligente etc. do que os outros. Essa escolha é utilizada, consciente ou subconscientemente, para fugir da frustração em não se conseguir ser superior aos demais.

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O próximo nível psíquico é o do sistema de crenças. São as crenças que estarão determinando as emoções utilizadas pela pessoa.
No caso do perfeccionismo, teremos os seguintes tipos de crenças de nível emocional que estarão gerando o complexo de superioridade:

Eu sou mais capaz que os outros. Eu sou mais inteligente que os outros. Eu posso tudo. Eu sei mais do que os outros. Eu não posso errar. Eu tenho que fazer tudo certo. Eu não tenho o direito de errar etc.

Percebamos que esses tipos de crenças são limitadoras, pois afirmam de uma forma vaidosa e orgulhosa, uma capacidade que não é real ou nega uma possibilidade normal em todo ser em evolução que é errar.
Quando acontece algum problema as crenças são relacionadas ao complexo de inferioridade:

Eu não consigo fazer nada certo. Eu faço tudo errado. Eu sou burro etc.

Percebamos que esses tipos de crenças também são limitadoras, pois afirmam de uma forma pseudo-humilde (orgulho disfarçado), uma incapacidade que não é real ou afirma de uma forma taxativa que só sabe errar, negando a potencialidade que existe em todo ser em evolução de acertar, de ser capaz, de poder mudar a sua vida para melhor.
Para que possa se libertar do perfeccionismo e todos os problemas que ele causa, a pessoa deve primeiro ressignificar o seu sistema de crenças, para melhorar as emoções e o comportamento.
É fundamental desenvolver crenças proativas do tipo:

Eu sou igual a todo mundo com os mesmos potenciais e possibilidades e sou capaz de desenvolvê-los. Eu tenho todo direito de errar e sei que o erro é uma forma de aprendizado; ao mesmo tempo sei que tenho todos os potenciais e possibilidades de reparar qualquer erro que tenha cometido. Eu sou uma pessoa em desenvolvimento constante e sei que tenho limitações a serem superadas, mas tenho toda a capacidade para superá-las. Eu sei que todo aparente fracasso é uma oportunidade de crescimento e sei que sou capaz de transformá-lo. Eu consigo superar todas as limitações que tenho, transformando-as em potencial de crescimento, respeitando sempre as possibilidades que já desenvolvi.

Percebamos que as crenças para serem proativas precisam reconhecer as limitações, mas ao mesmo tempo é necessário saber que existe em cada um de nós todo o potencial para superá-las, bem como ter ciência de que nossos potenciais podem não estar totalmente desenvolvidos e que, por isso, não haja a possibilidade imediata da superação de uma determinada limitação.
Tal pensamento gera um movimento de humildade, virtude eminentemente proativa, em que o indivíduo reconhece o seu valor, sabe dos seus potenciais e, ao mesmo tempo, que eles ainda são limitados. Acima de tudo, porém, ele sabe que pode, que é capaz de superar qualquer limitação com o tempo.
Isso gera o exercício do poder real, exercido com amor a si mesmo e aos outros. Com isso, o perfeccionista também supera tanto o complexo de superioridade quanto o complexo de inferioridade,  liberando-se da comparação com os outros, pois sabe que todos somos iguais em potencial, mas cada um está em diferente grau de desenvolvimento de seus potenciais.
Surge a flexibilidade, caracterizada pela aceitação da possibilidade de errar em si mesmo e nos outros e pelo aprendizado com o erro, ao mesmo tempo em que assume a responsabilidade de reparar o erro quando ele acontece.
Esse movimento gera uma profunda autoconfiança, pois a flexibilidade e a responsabilidade levam o indivíduo a não ficar de prevenção contra os outros, nem a se sentir inferior ou incapaz.
O indivíduo se libera tanto da revolta quanto da acomodação características dos movimentos de reatividade e da passividade. Liberta-se da culpa e da punição, passa a sentir serenidade, tranquilidade, calma, paz interior, esperança, otimismo, alegria, felicidade etc. Enfim, passa a ter mais saúde física e mental.

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